Abstract:
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Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) configura-se como a principal causa de incapacidade em adultos no Brasil e causa um grande impacto financeiro ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse impacto pode ser diminuído com medidas de prevenção na atenção básica visando o reconhecimento dos fatores de risco e o diagnóstico precoce da doença. Poucos estudos avaliam o conhecimento dos usuários do SUS sobre o AVC. Esse estudo teve como objetivo investigar o conhecimento sobre o AVC da população que é usuária do SUS residente do município de Araranguá/SC. Método: Trata-se de um estudo transversal que foi realizado a partir da análise de um questionário desenvolvido pelos pesquisadores, no período de janeiro a abril de 2023, com 350 indivíduos. Os dados coletados foram tabulados e analisados no programa Statistical PackageForSocial Science For Windows (SPSS) versão 22. Inicialmente foi realizada estatística descritiva, a fim de caracterizar a amostra quanto às características sociodemográficas e socioeconômicas, bem como para descrever os resultados da aplicação do questionário. O teste de Qui-Quadrado (χ2) foi utilizado para avaliar a associação entre variáveis sociodemográficas e as respostas ao questionário. Resultados: a porcentagem da amostra foi do sexo feminino, com média de idade de 36±14,33 anos, majoritariamente da cor branca, casados/união estável, com renda de 1,5 salário mínimo. Foi observado que 64,5% (n=226) dos participantes acreditam saber a fisiopatologia do AVC, mas desses apenas 28,8% (n=65) responderam corretamente. O mesmo ocorre com sinais e sintomas, fatores de risco e sequelas do AVC. O erro mais recorrente encontrado nas questões de fisiopatologia foi a confusão do AVC com o infarto agudo do miocárdio. Os indivíduos de maiores escolaridades foram os que mais relataram saber sobre o AVC, porém, foi observado que esses tiveram mais respostas inadequadas, demonstrando que mesmo em níveis de maior escolaridade o conhecimento do AVC é superficial. Já em relação à conduta imediata ao presenciar um indivíduo tendo um AVC 96,8% (n=239) dos entrevistados responderam corretamente, tendo como conduta acionar os serviços de urgência e emergência. Ainda assim, houve erros na hora de responder corretamente o número do SAMU, 81,7% (n=286) dos participantes disseram que sabiam, no entanto 51,4% (n=147) relataram o número errado. Conclusão: Esse estudo evidenciou que a maior parte dos entrevistados não sabe de maneira geral sobre o AVC, no entanto, acreditam saber, o que pode levar a condutas inadequadas de prevenção e intervenção no AVC. Ficou evidente a necessidade de intervenções educacionais junto a essa população, como uma forma de prevenção do AVC, a fim de reduzir o impacto individual e coletivo da doença. |