Title: | A diversificação das desigualdades escolares como efeito da pandemia da COVID-19 em crianças do 4º ano do ensino fundamental |
Author: | Barcella, Julia Larissa Borges |
Abstract: |
A pandemia da COVID-19 acentuou as desigualdades sociais, evidenciando que as desigualdades escolares estão intimamente atreladas à origem social. Durante o período mais crítico da pandemia, com a adoção do isolamento social e da escolarização remota, em 2020, o maior índice de evasão escolar ocorreu na faixa etária de 5 a 9 anos, o que significa que as crianças que estavam iniciando a vida escolar foram altamente prejudicadas. Com a retomada completa do ensino presencial, em 2022, os estudantes matriculados no 3º ano do Ensino Fundamental passaram a frequentar a escola diariamente pela primeira vez em suas vidas. Nesse contexto, foram identificadas expressivas defasagens em suas aprendizagens, além de emoções que revelaram desconforto, angústia e sofrimento diante do processo de escolarização. A individualização crescente nas experiências das desigualdades gera um sofrimento individual que, a partir dos preceitos de liberdade e igualdade de direitos propagados na sociedade, faz com que os agentes se culpabilizem por sofrê-las. No novo cenário que se apresenta, as desigualdades na sociedade se ampliam e se diversificam, fazendo com que pequenas desigualdades sejam mais sentidas do que as grandes, que deveriam ser igualmente importantes. Diante deste complexo cenário, esta pesquisa tem como objetivo investigar, por meio de conceitos da Sociologia da Educação, as diversificações das desigualdades sofridas por crianças do 4º ano do Ensino Fundamental como efeito da pandemia da COVID-19. Oito crianças foram ouvidas sobre suas histórias de vida no tempo presente e no período vivenciado durante a pandemia. A partir dos diálogos construídos com cada uma delas, considerando o contexto socioeconômico familiar, seus históricos escolares e as percepções das docentes que acompanharam as turmas das quais faziam parte, foi possível identificar diversificações nas desigualdades sofridas por essas crianças, que seguramente influenciam suas dificuldades e facilidades de aprendizagem. Entretanto, em meio às experiências únicas, emergiu uma concordância comum: a preferência por estar na escola. A possibilidade já experimentada de uma \"escola sem escola\", introduzida pelos aparelhos eletrônicos e pelas atividades impressas nos tempos de pandemia da COVID-19, não substitui a \"escola como lugar\", que abriga e acolhe, ensina e forma, socializa, permitindo os encontros entre pares, professores e demais agentes que passam por essa instituição. Abstract: The COVID-19 pandemic has exacerbated social inequalities, highlighting the fact that educational inequalities are closely linked to social background. In the most critical period of the pandemic, following the move towards social isolation and remote schooling in 2020, the highest school dropout rate occurred in the 5-9 age group, meaning that children new to school were most affected. In 2022, once face-to-face education was fully reestablished, students enrolled in the third year of elementary school started attending face-to-face school every day for the first time in their lives, and significant gaps were identified in their general learning skills. Newly enrolled students also expressed emotions of discomfort, anguish and suffering due to the schooling process. The growing individualization of inequalities generates individual suffering which, based on the precepts of freedom and equal rights proclaimed in society, leads those involved to blame themselves for feeling these emotions. In this new scenario, inequalities in society are widening and diversifying, and this makes minor inequalities seem more noticeable than major inequalities, which should be equally important. Given this complex scenario, this research aims to investigate, using concepts from the Sociology of Education, the diversification of inequalities suffered by children in the 4th year of elementary school as an effect of the COVID-19 pandemic. Eight children were interviewed about their life stories in the present and during the pandemic and, based on the dialogues built with each of them, linked to the socioeconomic context of their families, their school records and the perceptions of the teachers who accompanied the classes they were part of, it was possible to identify the diversity of inequalities suffered by these children, which certainly influence their learning abilities. However, in the midst of these unique experiences, there is consensus: the preference to be at school. The already experienced possibility of a \"school without school\", introduced by electronic devices and printed activities during the COVID-19 pandemic, does not replace the \"school place\", which shelters and welcomes, teaches and trains, socializes, allowing encounters between peers, teachers and students who pass through this institution. |
Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2024. |
URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/263956 |
Date: | 2024 |
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PEED1792-D.pdf | 1.814Mb |
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