Abstract:
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A relevância que o estado de Santa Catarina detém no panorama nacional de ocorrências de desastres é exemplificada no número de desabrigados e desalojados por fenômenos naturais: 13% dos declarados nessa situação entre 1991 e 2023 vivia no estado (Brasil, 2023), onde apenas 3,7% da população brasileira é residente (IBGE, 2024b). O objetivo deste trabalho é analisar comparativamente três índices de vulnerabilidade social espacializados para o território de Santa Catarina, a nível municipal, com dados de 2010 oriundos do Censo Demográfico e do DataSUS. O primeiro índice analisado, IVS-Ipea, foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, 2015) sob a perspectiva da pobreza multidimensional, e objetiva analisar a oferta de bens e serviços públicos à população. Os outros dois métodos utilizados propõem avaliar a vulnerabilidade social em relação aos desastres. São eles: IVS-Goerl, produzido por Goerl, Kobiyama e Pellerin (2011) e o Social Vulnerability Index (SoVI®), publicado por Cutter, Boruff e Shirley (2003). Os índices foram analisados com base em Januzzi (2009), considerando suas capacidades de cobertura espacial, historicidade, relações com políticas já existentes, facilidades de acesso, de atualização dos dados, de leitura dos resultados e de aplicação da metodologia. Os três foram aplicados em escala municipal e espacializados. Da análise comparativa qualitativa entre as classificações da vulnerabilidade pelos três índices, produziu-se a proposta síntese. Esse produto foi comparado com a média municipal anual de desastres registrados oficialmente entre 1991 a 2012 (CEPED, 2013), o que indicou a Mesorregião Norte como a de maior prioridade no desenvolvimento de políticas para a diminuição da vulnerabilidade social a desastres. Quanto ao perfil vulnerável catarinense, fica delimitado aquele composto por mulheres migrantes, trabalhadoras formais e residentes em domicílios com pouca infraestrutura construtiva e de saneamento básico. Nesse sentido, é importante avançar na aplicação de políticas públicas que atendam a esse perfil populacional em áreas com maior exposição ao risco, garantindo o direito à moradia digna, saneamento básico e estruturas de proteção. |