"Eu luto e não me rendo, caio e não me vendo": a articulação do movimento hip-hop como possibilidade de resistência ao discurso da economia criativa em Florianópolis/SC

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"Eu luto e não me rendo, caio e não me vendo": a articulação do movimento hip-hop como possibilidade de resistência ao discurso da economia criativa em Florianópolis/SC

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Title: "Eu luto e não me rendo, caio e não me vendo": a articulação do movimento hip-hop como possibilidade de resistência ao discurso da economia criativa em Florianópolis/SC
Author: Franz, Alice Hübner
Abstract: Esta tese teve como objetivo investigar se a articulação promovida pelo movimento hip-hop de Florianópolis pode ser caracterizada como uma forma de resistência e luta contra-hegemônica ao contexto discursivo da economia criativa em construção na cidade. Para isso, a pesquisa se apoiou nos conceitos da Teoria Política do Discurso de Laclau e Mouffe (2015) e adotou uma abordagem qualitativa, sendo realizada por meio de um estudo de caso. A pesquisa foi conduzida entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023 e envolveu a coleta de dados a partir de observações diretas, realização de 24 entrevistas e análise de documentos. Os resultados da pesquisa indicam que existe um esforço coletivo de diversos atores locais para tornar Florianópolis um polo de economia criativa, o que resulta na formação de um campo discursivo centrado nessa ideia. No entanto, o discurso hegemônico da economia criativa favorece setores mais lucrativos e alinhados aos interesses de mercado. Isso gera a exclusão e invisibilidade de manifestações artísticas e culturais, como o hip-hop, que enfrentam dificuldades no reconhecimento e na valorização de suas práticas. Ao analisar a trajetória do movimento hip-hop na cidade, observou-se que, à medida que o movimento se expande e reivindica mais espaço e visibilidade, ele também enfrenta resistência significativa de setores da sociedade civil e do Estado. Porém, como argumentam Laclau e Mouffe (2015), toda ordem é uma conquista instável, sujeita a contestação, especialmente devido aos sistemas de exclusão que gera, sendo passível de resistência. Desde seu surgimento, o movimento hip-hop tem enfrentado episódios de opressão, segregação e violência em Florianópolis. A partir desses episódios, surgiu a necessidade de uma articulação coletiva para garantir sua existência e afirmar suas demandas. Dois momentos-chave foram identificados nesse processo. O primeiro foi a busca por autorização para a ocupação dos espaços públicos, com o movimento tentando se adaptar à legislação vigente. Porém, diante das dificuldades enfrentadas, houve uma rearticulação, marcada pela busca por reconhecimento das atividades do movimento, com foco na aprovação de um projeto de lei que legitimasse a cultura hip-hop e de rua no município. Evidenciou-se, a partir da análise dos dados, que a articulação do movimento hip-hop de Florianópolis vai além da busca por maior visibilidade. Ela envolve uma disputa pela hegemonia cultural e pela definição do que constitui a cultura na cidade. Ao estabelecer essa disputa, outros significantes acabam por ser questionados, como é o caso das noções de economia, de desenvolvimento e de organização. Com base nesse processo, defende-se nesta tese que a resistência é um processo coletivo de luta hegemônica, que envolve engajamento político e articulatório, e que exige uma organização específica. A resistência é movida tanto por motivações racionais quanto afetivas e busca atender a demandas coletivas. A resistência não se desenvolve de forma linear, contínua ou previsível; ao contrário, é contingente e precária, emergindo conforme as dinâmicas de poder e os discursos dominantes presentes em contextos específicos. Além disso, a experiência de resistência não segue uma fórmula única, pois depende das condições políticas e sociais envolvidas.Abstract: This thesis aimed to investigate whether the articulation promoted by the hip-hop movement in Florianópolis can be characterized as a form of resistance and counter-hegemonic struggle against the discursive context of the creative economy being constructed in the city. To this end, the research relied on the concepts of the Political Theory of Discourse by Laclau and Mouffe (2015) and adopted a qualitative approach, conducted through a case study. The research was carried out between December 2022 and December 2023, involving data collection through direct observations, 24 interviews, and document analysis.The results of the research indicate that there is a collective effort from various local actors to make Florianópolis a hub of the creative economy, resulting in the formation of a discursive field centered on this idea. However, the hegemonic discourse of the creative economy favors more profitable sectors aligned with market interests, leading to the exclusion and invisibility of artistic and cultural expressions, such as hip-hop, which struggle for recognition and the valorization of their practices. When analyzing the trajectory of the hip-hop movement in the city, it was observed that as the movement expands and demands more space and visibility, it also faces significant resistance from civil society and state sectors. However, as Laclau and Mouffe (2015) argue, any order is an unstable achievement, subject to contestation, especially due to the exclusionary systems it generates, making it susceptible to resistance. Since its emergence, the hip-hop movement has faced episodes of oppression, segregation, and violence in Florianópolis. From these episodes, the need for collective articulation arose to ensure its existence and affirm its demands. Two key moments were identified in this process. The first was the search for authorization to occupy public spaces, with the movement attempting to adapt to existing legislation. However, faced with difficulties, there was a rearticulation, marked by the pursuit of recognition for the movement?s activities, focusing on the approval of a law project that would legitimize hip-hop and street culture in the municipality. The data analysis revealed that the articulation of the hip-hop movement in Florianópolis goes beyond the search for greater visibility. It involves a dispute for cultural hegemony and the definition of what constitutes culture in the city. By establishing this dispute, other significant terms are also questioned, such as those of economy, development, and organization. Based on this process, this thesis argues that resistance is a collective process of hegemonic struggle, involving political and articulatory engagement, and requiring a specific organization. Resistance is driven both by rational and affective motivations and seeks to address collective demands. Resistance does not develop in a linear, continuous, or predictable manner; rather, it is contingent and precarious, emerging according to the dynamics of power and dominant discourses in specific contexts. Furthermore, the experience of resistance does not follow a unique formula, as it depends on the political and social conditions involved.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Sócio-Econômico, Programa de Pós-Graduação em Administração, Florianópolis, 2024.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/264244
Date: 2024


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