Afetividade, extremismos políticos e psicologia social
Author:
Silva, Pedro Henrique de Melo e
Abstract:
Este trabalho busca investigar os afetos que sustentam a adesão de diferentes grupos e sujeitos brasileiros à extrema direita. Tal movimento é entendido como um fenômeno múltiplo, que assume formas distintas em contextos históricos e territoriais, mas preserva elementos estruturais comuns. A análise parte da filosofia de Espinosa, que define os afetos como efeitos das afecções do corpo em contato com outros corpos, e de Maria Rita Kehl, que discute o ressentimento.
A pesquisa adotou o método de campo-tema de Peter Stink, que considera inseparáveis a experiência do pesquisador e o objeto estudado, valorizando o contato com o mundo como fonte teórica e prática. Foram realizadas revisões bibliográficas de artigos publicados a partir de 2013 nas bases SciELO e LILACS, além de 13 entrevistas de cerca de uma hora com apoiadores de pautas da direita e da extrema direita.
Os resultados mostram que os afetos se movem entre o medo e a superstição. O medo aparece ligado à violência, à perda de status social e de privilégios identitários. Assume três dimensões: no cotidiano, como repressão em interações (como discussões acadêmicas), como insegurança diante da própria legitimidade de expressão e como percepção de imposição de ideias por parte da esquerda. A superstição se manifesta em crenças em soluções transcendentes ou figuras salvadoras. Já o ressentimento surge como outro afeto relevante, frequentemente expresso em fantasias de vingança ou injustiça projetadas sobre o outro ou em situações hipotéticas.
Description:
Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica -
Universidade Federal de Santa Catarina.
Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Curso de Psicologia.