Saúde mental em estudantes de doutorado: fatores associados e os efeitos da meditação e do treinamento funcional

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Saúde mental em estudantes de doutorado: fatores associados e os efeitos da meditação e do treinamento funcional

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dc.contributor Universidade Federal de Santa Catarina
dc.contributor.advisor Speretta, Guilherme Fleury Finna
dc.contributor.author Araujo, Pablo Antonio Bertasso de
dc.date.accessioned 2025-10-14T23:29:57Z
dc.date.available 2025-10-14T23:29:57Z
dc.date.issued 2025
dc.identifier.other 394214
dc.identifier.uri https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/269510
dc.description Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Neurociências, Florianópolis, 2025.
dc.description.abstract Introdução. Três estudos foram elaborados ao longo do curso de doutorado: o primeiro é uma revisão sistemática; o segundo, um estudo com delineamento transversal e o terceiro, um ensaio clínico randomizado. Objetivos. Estudo um: identificar fatores associados aos desfechos de saúde mental em estudantes de pós-graduação. Estudo dois: avaliar a prevalência e identificar preditores da percepção de estresse em estudantes de doutorado. Também avaliamos a prevalência de sintomas de ansiedade e depressão, qualidade do sono, os níveis de atividade física, bem como a composição corporal, a hemodinâmica, a função vascular e a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) nessa população. Estudo três: avaliar os efeitos da meditação e do treinamento funcional na percepção de estresse em estudantes de doutorado. Também, foram avaliados os efeitos dessas intervenções no estado emocional geral, na qualidade do sono e nas funções autonômica, cognitiva e vascular, aptidão cardiorrespiratória e atenção plena. Métodos. Estudo um: a revisão sistemática seguiu as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-analyses (PRISMA). Incluiu estudos observacionais, com análises quantitativas ou quanti-qualitativas, que utilizaram questionários e relataram fatores associados a desfechos em saúde mental (ansiedade, burnout, depressão, estresse, ideação suicida, transtornos do sono e transtornos alimentares). Estudo dois: Foram incluídos 74 estudantes de doutorado acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Um modelo de regressão linear múltipla foi realizado, tendo a percepção de estresse como variável dependente e como variáveis independentes (preditoras), pressão arterial, frequência cardíaca, função vascular, índices de VFC, sintomas de ansiedade e depressão, qualidade do sono, níveis de atividade física e índices antropométricos. Idade, sexo e cor da pele foram incluídos como variáveis de controle. Estudo três: estudantes de doutorado acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina foram randomizados em três grupos: grupo meditação (GM), grupo treinamento funcional (GTF) e grupo controle (GC). Os GM e GTF realizaram três sessões semanais, com duração de 10 a 21 minutos, durante 12 semanas, supervisionados remotamente (online síncrono). O GC seguiu realizando suas atividades habituais durante 12 semanas. Resultados. Estudo um: a amostra foi composta por um total de 35.180 estudantes, com 31 estudos incluídos, sendo um estudo de coorte e 30 estudos transversais. A maioria dos estudos apresentou qualidade metodológica adequada, sendo 28 classificados como de baixo risco de viés e três como risco moderado de viés. Foram identificados diferentes fatores associados a desfechos de saúde mental em estudantes de pós-graduação, com maior número de relatos no nível psicológico (30,8%; 48 fatores) e acadêmico (30,1%; 47 fatores), seguidos pelos níveis social (16,6%; 26 fatores), comorbidades (9,6%; 15 fatores), biológico (6,4%; 10 fatores), estilo de vida (4,5%; 7 fatores) e financeiro (2,0%; 3 fatores), respectivamente. . Em relação à prevalência, as taxas de estresse variaram de 18,6% a 88,0%; de ansiedade, entre 18,8% e 52,0%; de depressão, de 10,1% a 39,2%; de comportamento suicida, de 1,8% a 9,9%; e de comportamento alimentar, com taxas variando de 5,8% a 29,9%. Estudo dois: a prevalência de estresse foi de 23,0%, de ansiedade foi de 27,0% e de depressão, de 24,3%, pontuação no mínimo moderado segundo classificação do DASS-21. A prevalência de qualidade do sono ruim foi de 77,0% e 33,7% dos participantes não atenderam o mínimo recomendado de 150 min/sem de atividade física de intensidade moderada a vigorosa intensidade. A análise de regressão linear múltipla indicou uma associação positiva entre maior percepção de estresse, avaliada pelo PSS, e qualidade do sono ruim, mais sintomas de depressão e maiores valores do índice não linear da VFC entropia da amostra (SampEn) e uma associação negativa com os níveis de atividade física vigorosa. Esse conjunto de variáveis preditoras explicou 63,3% da percepção de estresse. Estudo três: foram avaliados para elegibilidade 146 estudantes de doutorado, e 36 foram randomizados para os três grupos. Nos grupos de intervenção, três participantes não deram continuidade (GM: n = 2; GTF: n = 1) e dois não realizaram a avaliação pós-intervenção (GM: n = 1; GTF: n = 1) e foram incluídos na análise por intenção de tratar, sendo a amostra final composta por 36 participantes (GM: n = 13; GTF: n = 12; GC: n = 11). A análise da GEE apontou redução da percepção de estresse tanto no GM (Pré: 20,54 ± 1,88; Pós: 15,30 ± 1,41; P = 0,012) quanto no GTF (Pré: 24,58 ± 1,52; Pós: 16,30 ± 1,95; P = 0,000), enquanto o GC (Pré: 17,0 ± 1,06; Pós: 18,82 ± 1,68; P = 0.146) não apresentou alterações. Em relação aos desfechos secundários, a GEE indicou melhora na função cognitiva, avaliada pelo Teste Auditivo Compassado de Adição Seriada (PASAT), tanto o GM (P = 0,002) quanto o GTF (P = 0,028). No estado emocional geral, o GTF apresentou um tamanho de efeito grande e um IC 95% que não cruza a linha de nulidade. Na qualidade do sono, o GM apresentou um tamanho de efeito pequeno e um IC 95% que não cruza a linha de nulidade. Nenhum grupo apresentou diferenças nas funções autonômica e vascular, na aptidão cardiorrespiratória e na atenção plena. Conclusões. Estudo um: os resultados desta revisão sistemática demonstram diferentes fatores associados aos desfechos relacionados à saúde mental, sugerindo que múltiplos aspectos influenciam a saúde mental dos estudantes de pós-graduação. Esses achados, associados às altas prevalências encontradas, justificam o desenvolvimento de políticas universitárias voltadas à promoção da saúde mental na pós-graduação. Estudo dois: melhorar o sono e incluir atividade física vigorosa podem reduzir a percepção de estresse em estudantes de doutorado. Sintomas de depressão e SampEn também se destacam como preditores relevantes da percepção de estresse. Estudo três: : os resultados indicam efeitos positivos da meditação e do treinamento funcional na redução da percepção de estresse e na melhora na função cognitiva, além de um efeito benéfico da meditação na qualidade do sono e do treinamento funcional sobre o estado emocional geral em estudantes de doutorado.
dc.description.abstract Abstract: Introduction: three studies were conducted throughout the doctoral program: the first is a systematic review; the second, a cross-sectional study; and the third, a randomized clinical trial. Objectives. Study one: to identify factors associated with mental health outcomes in graduate students. Study two: to assess the prevalence and identify predictors of perceived stress in doctoral students. We also evaluated the prevalence of anxiety and depression symptoms, sleep quality, physical activity levels, as well as body composition, hemodynamics, vascular function, and heart rate variability (HRV) in this population. Study three: to evaluate the effects of meditation and functional training on perceived stress among doctoral students. We also assessed the effects of these interventions on overall emotional state, sleep quality, and autonomic, cognitive, and vascular functions, cardiorespiratory fitness, and mindfulness. Methods. Study one: this systematic review followed the guidelines of the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). It included observational studies with quantitative or mixed methods analysis that used questionnaires and reported factors associated with mental health outcomes (anxiety, burnout, depression, stress, suicidal ideation, sleep disorders, and eating disorders). Study two: a total of 74 doctoral students from the Federal University of Santa Catarina (UFSC) were included. A multiple linear regression model was applied, with perceived stress as the dependent variable and, as independent (predictor) variables, blood pressure, heart rate, vascular function, HRV indices, anxiety and depression symptoms, sleep quality, physical activity levels, and anthropometric indices. Age, sex, and skin color were included as control variables. Study three: doctoral students from the Federal University of Santa Catarina were randomly assigned to three groups: meditation group (MG), functional training group (FTG), and control group (CG). The MG and FTG performed three weekly sessions lasting 10 to 21 minutes for 12 weeks, supervised remotely (synchronous online). The CG continued their usual activities during 12-week period. Results. Study one: the sample consisted of a total of 35.180 students, with 31 studies included: one cohort study and 30 cross-sectional studies. Most studies demonstrated adequate methodological quality, with 28 classified as low risk of bias and three as moderate risk of bias. Different factors associated with mental health outcomes in graduate students were identified, with the highest number of reports at the psychological level (30.8%; 48 factors) and academic level (30.1%; 47 factors), followed by the social (16.6%; 26 factors), comorbidities (9.6%; 15 factors), biological (6.4%; 10 factors), lifestyle (4.5%; 7 factors), and financial (2.0%; 3 factors). Regarding prevalence, stress rates ranged from 18.6% to 88.0%; anxiety, from 18.8% to 52.0%; depression, from 10.1% to 39.2%; suicidal behavior, from 1.8% to 9.9%; and eating behavior, from 5.8% to 29.9%. Study two: the prevalence of stress was 23.0%, anxiety 27.0%, and depression 24.3%, with at least moderate scores according to the DASS-21 classification. Poor sleep quality was observed in 77.0% of participants, and 33.7% did not meet the minimum recommendation of 150 minutes per week of moderate to vigorous physical activity. Multiple linear regression analysis indicated a positive association between higher perceived stress, as measured by the PSS, and poor sleep quality, more depressive symptoms, and higher values of the nonlinear HRV index sample entropy (SampEn) as well as a negative association with vigorous physical activity levels. This set of predictor variables explained 63.3% of perceived stress. Study three: a total of 146 doctoral students were screened for eligibility, and 36 were randomized into the three groups. In the intervention groups, three participants discontinued (MG: n = 1; FTG: n = 1), and two did not complete the post-intervention assessment (MG = 1; FTG = 1). All were included in the intention-to-treat analysis, resulting in a final sample of 36 participants (MG: n = 13; FTG: n = 12; CG: n = 11). The GEE analysis indicated reduction stress perception in the MG (Pre: 20.52 ± 1.88; Post: 15.30 ± 1.41; P = 0.012) and FTG (Pre: 24.58 ± 1.52; Post: 16.30 ± 1.95; P = 0.000), whereas CG (Pre: 17.0 ± 1.06; Post: 18.82 ± 1.68; P = 0.146) showed no significant changes. Regarding secondary outcomes, the GEE indicated improvement in cognitive function, assessed by the Paced Auditory Serial Addition Test (PASAT), both the MG (P = 0.002) and FTG (P = 0.028). In general emotional state, the FTG showed a large effect size and a 95% CI that did not cross the null line. In sleep quality, the MG showed a small effect size and a 95% CI that did not cross the null line. No group showed differences in autonomic and vascular functions, cardiorespiratory fitness, or mindfulness. Conclusions. Study one: the results of this systematic review demonstrate different factors associated with mental health outcomes, suggesting that multiple aspects influence the mental health of graduate students. These findings, combined with the high prevalence rates observed, justify the development of university policies aimed at promoting mental health in graduate education. Study two: improving sleep and engaging in vigorous physical activity may reduce perceived stress among doctoral students. Depressive symptoms and SampEn also stand out as relevant predictors of perceived stress. Study three: the results indicate positive effects of meditation and functional training on reducing perceived stress and improving cognitive function, as well as a beneficial effect of meditation on sleep quality and of functional training on general emotional state among doctoral students. en
dc.format.extent 130 p.| il., tabs.
dc.language.iso por
dc.subject.classification Neurociências
dc.subject.classification Estilo de vida
dc.subject.classification Estudantes de pós-graduação
dc.title Saúde mental em estudantes de doutorado: fatores associados e os efeitos da meditação e do treinamento funcional
dc.type Tese (Doutorado)


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