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Introdução: A comunicação de más notícias é uma competência clínica complexa e um
desafio central no ambiente hospitalar. Apesar de sua importância, a formação médica é
frequentemente deficiente nesse quesito, resultando em profissionais despreparados que
relatam grande dificuldade e alta carga de estresse associada. Essa lacuna impacta
negativamente pacientes e familiares, gerando má compreensão do prognóstico e sofrimento
psicológico, além de contribuir para o esgotamento (burnout) dos médicos, criando um
paradoxo entre a vasta literatura científica disponível sobre protocolos de comunicação e sua
baixa aplicação prática.
Objetivo: Sintetizar e atualizar, por meio de uma revisão narrativa, as evidências científicas
sobre a comunicação de más notícias no contexto hospitalar, identificando os principais
desafios, o impacto de uma comunicação inadequada e os protocolos e estratégias para a
melhoria do cenário.
Método: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura nas bases de dados
PUBMED/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library
Online (ScieLO). Foram utilizados descritores como "comunicação de más notícias", "truth
disclosure" e "hospitais", com critérios de inclusão que focavam na comunicação
médico-paciente adulto em ambiente hospitalar e na análise de protocolos. Foram utilizados
59 artigos em português, inglês e espanhol no corpus do trabalho.
Resultados: Os resultados evidenciam uma lacuna significativa entre o conhecimento
científico e a prática clínica. Os médicos enfrentam barreiras emocionais (medo de causar
sofrimento), sistêmicas (falta de tempo e espaço adequado) e, principalmente, educacionais
(ausência de treinamento formal). A comunicação inadequada está associada à má
compreensão do prognóstico, a desfechos psicológicos negativos para pacientes e familiares
(ansiedade, depressão, estresse pós-traumático) e ao desgaste profissional. Embora existam
diversos protocolos estruturados, como o SPIKES e suas adaptações (P-A-C-I-E-N-T-E,
BREAKS, VALUE), a literatura carece de estudos comparativos que determinem a
superioridade de um método sobre o outro, reforçando a necessidade de uma abordagem
adaptativa e contextual.
Conclusão: A melhoria da comunicação de más notícias é imperativa e requer uma
abordagem dupla: a integração desta habilidade como uma competência técnica essencial e
longitudinal no currículo médico, com ênfase em treinamento prático e simulação; e o
compromisso institucional dos hospitais em fornecer recursos, tempo e formação contínua.
Investir na capacitação profissional para esta tarefa representa uma obrigação ética que
melhora a qualidade do cuidado, alinha o tratamento aos valores do paciente, reduz o
sofrimento e mitiga o desgaste profissional. |
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