Por isso que a gente sempre pesquisa?: plataformas digitais como instrumento de (des)informação e protagonismo no cuidado à saúde e desenvolvimento da criança

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Por isso que a gente sempre pesquisa?: plataformas digitais como instrumento de (des)informação e protagonismo no cuidado à saúde e desenvolvimento da criança

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dc.contributor Universidade Federal de Santa Catarina
dc.contributor.advisor Ferreira, Daniel Granada da Silva
dc.contributor.author Mattei, Fabrício Nicolao
dc.date.accessioned 2025-11-27T23:32:47Z
dc.date.available 2025-11-27T23:32:47Z
dc.date.issued 2025
dc.identifier.other 394809
dc.identifier.uri https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/270337
dc.description Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Florianópolis, 2025.
dc.description.abstract O acesso à internet no Brasil se encontra bastante disseminado. Famílias com filhos pequenos demonstram grande demanda por apoio e orientação, e a internet tem crescido como opção. Este trabalho busca avaliar a maneira como se dá o uso das plataformas digitais por pais e mães de crianças pequenas, seu papel no contexto da parentalidade e seus impactos na interação com os serviços de saúde. A pesquisa consistiu em um estudo qualitativo com análise de discurso, realizada a partir de um grupo focal com mães e pais usuários de uma instituição pública de ensino e da observação de uma página voltada ao desenvolvimento infantil no Instagram. Entre os principais resultados, se destaca a alusão a atores como os ?algoritmos? e o ?Dr. Google?, cujo protagonismo no apoio à parentalidade é reconhecido pelas famílias. As plataformas, por sua vez, assumem funções diversas, com as ferramentas de busca voltadas a informações mais urgentes, e as redes sociais mais relacionadas a acompanhamento do desenvolvimento e situações não propriamente patológicas. Muitos são os critérios utilizados pelos usuários para avaliar a credibilidade das informações encontradas, como a recorrência de informações, a comparação com experiências de outras famílias e a busca, nas plataformas, de estética que remeta a profissionalismo. Estas estratégias podem ser influenciadas pelos chamados metadados, pela massiva presença de publicidade, e pelo grande número de materiais, muitas vezes conflitantes (infoxicação). Outra questão central identificada é o tensionamento ocasionado na relação médico-paciente com o uso das tecnologias, que surge a partir de uma série de inconvenientes identificados pelas famílias no atendimento tradicional, como a dificuldade no acolhimento de determinadas demandas, os conflitos de interesse e as limitações no escopo resolutivo do cuidado médico formal. As novas práticas que despontam com essa crise no sistema de peritos médicos, porém, não representam um sistema completamente novo, pois são alimentadas pelo léxico da medicina científica e mantêm a deferência pela categoria médica - ainda que de maneira ambígua. A estratégia comercial presente nos conteúdos informativos encontrados nas plataformas, e revelada nos procedimentos adotados pela profissional influenciadora, em geral parece não ser reconhecida pelos usuários. Simultaneamente, se revela o caráter de comunidade assumido pelo espaço digital, que pode ser visto positivamente pela ajuda mútua, mas também negativamente, devido à comparação com outras mães e pais. Neste contexto, a medicalização e o determinismo parental parecem se manifestar de forma sincronizada. Por fim, os resultados indicam a necessidade de que as informações obtidas online sejam ativamente consideradas dentro dos atendimentos, com estímulo ao uso racional das tecnologias. Além disso, é preciso discutir a abordagem da tecnologia na formação médica e a responsabilização das plataformas pelos conteúdos nelas disponibilizados.
dc.description.abstract Abstract: Internet access in Brazil is widespread. Families with young children demonstrate a high demand for support and guidance, and the internet has grown as an option. This study seeks to evaluate how parents of young children use digital platforms, their role in parenting, and their impact on interactions with health services. The research consisted of a qualitative study with discourse analysis, conducted through a focus group with mothers and fathers attending a public educational institution and observation of an Instagram page focused on child development. Among the main findings, there is a notable allusion to actors such as \"algorithms\" and \"Dr. Google\", whose leading role in supporting parenting is recognized by families. The platforms, in turn, assume diverse functions, with search tools focused on more urgent information, and social networks more closely related to monitoring development and non-pathological situations. Users use many criteria to assess the credibility of the information they find, such as the recurrence of information, comparisons with other families' experiences, and the search for aesthetics that convey professionalism on platforms. These strategies can be influenced by so-called metadata, the massive presence of advertising, and the large number of often conflicting materials (infoxication). Another central issue identified is the tension caused in the doctor-patient relationship by the use of technology, which arises from a series of drawbacks identified by families in traditional care, such as the difficulty in meeting certain demands, conflicts of interest, and limitations in the scope of formal medical care. The new practices emerging with this crisis in the medical expert system, however, do not represent a completely new system, as they are fueled by the lexicon of scientific medicine and maintain deference for the medical profession?albeit ambiguous. The commercial strategy present in the informative content found on the platforms, and revealed in the procedures adopted by the professional influencer, generally seems to go unrecognized by users. Simultaneously, the community-like nature of the digital space is revealed, which can be viewed positively due to mutual support, but also negatively due to comparisons with other mothers and fathers. In this context, medicalization and parental determinism appear to manifest themselves in sync. Finally, the results indicate the need for information obtained online to be actively considered in consultations, encouraging the rational use of technology. Furthermore, it is necessary to discuss the approach to technology in medical training and the accountability of platforms for the content they make available. en
dc.format.extent 105 p.
dc.language.iso por
dc.subject.classification Saúde coletiva
dc.subject.classification Parentalidade
dc.subject.classification Saúde da criança
dc.subject.classification Desinformação
dc.title Por isso que a gente sempre pesquisa?: plataformas digitais como instrumento de (des)informação e protagonismo no cuidado à saúde e desenvolvimento da criança
dc.type Dissertação (Mestrado)


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