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A tríade felina, também denominada “triadite”, é uma síndrome inflamatória que
acomete simultaneamente o fígado, o pâncreas e o intestino delgado. Por
apresentar sinais clínicos inespecíficos, como anorexia, vômitos, diarreia, icterícia e
perda de peso, seu diagnóstico torna-se desafiador, sendo facilmente confundida
com outras afecções gastrointestinais. Embora o diagnóstico definitivo dependa de
biópsia e exame histopatológico dos órgãos envolvidos, essa abordagem é
frequentemente inviável na rotina clínica devido à instabilidade dos pacientes,
tornando o diagnóstico presuntivo, baseado em histórico, exame físico e achados
laboratoriais e de imagem. No presente trabalho, relata-se o caso de um felino
macho, de 9 anos, com carcinoma de células escamosas, atendido no Hospital
Veterinário da Universidade Federal do Paraná (HV-UFPR), Curitiba, em setembro
de 2025. Durante a avaliação pós-eletroquimioterapia, o paciente apresentou
vômitos, desidratação severa, perda de peso e alterações ultrassonográficas
compatíveis com colangite parasitária, além de alterações hematológicas indicativas
de inflamação sistêmica. Esses achados, associados à dilatação do ducto biliar,
espessamento de vesícula e pâncreas com sinais de pancreatite, permitiram o
diagnóstico clínico de tríade felina. O tratamento instituído incluiu fluidoterapia
intensiva, analgesia, antieméticos, antibióticos, antiparasitários, suporte nutricional
por sonda esofágica e terapia hepatoprotetora, resultando em melhora clínica
progressiva. O caso reforça a importância do reconhecimento precoce da síndrome
e da abordagem terapêutica multidisciplinar para redução da morbidade e evolução
favorável. |
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