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Abstract:
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Introdução: A lesão medular é considerada um dos eventos incapacitantes mais graves e impactantes, levando a severas disfunções motoras, urinárias, intestinais, sexuais, autonômicas, entre outras. Gera alterações na autonomia, na qualidade de vida, satisfação e estilos de vida. O exercício físico adaptado é uma forma de reabilitação física, de fortalecimento da musculatura, prevenção de novas lesões e melhoramento da percepção espacial, alinhamento e equilíbrio postural. Além disso, constitui uma forma de desenvolvimento social, emocional e cognitivo, que estimula a capacidade mental. Objetivo: Compreender o significado do exercício físico adaptado no cotidiano do processo de reabilitação de pessoas com lesão medular. Metodologia: Pesquisa descritiva de abordagem qualitativa, fundamentada na Sociologia Compreensiva e do Quotidiano de Michel Maffesoli. Fizeram parte do estudo 16 pessoas com lesão medular de um Centro Especializado em Reabilitação do sul do Brasil, entre os meses de julho e agosto de 2025. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas guiadas por um roteiro semiestruturado e os resultados foram analisados por meio da técnica de Análise de Conteúdo de Bardin. Resultados: Observou-se que os significados do exercício físico adaptado na reabilitação evidenciam a descoberta de novas habilidades, o cuidado integral com corpo e mente, e a retomada do sentido de viver e do pertencimento social. Também promove mudanças positivas no estilo de vida, como melhores hábitos alimentares e de hidratação, que influenciam no funcionamento da bexiga, do intestino e melhora da qualidade do sono. Todavia, percebe-se algumas limitações para o desenvolvimento desta prática, como barreiras de acessibilidade e custos elevados. Considerações finais: Evidenciou-se que o exercício físico adaptado vai além da reabilitação funcional, configura-se como um espaço simbólico de reconstrução da autonomia e da identidade, promovendo autoestima, bem-estar emocional e reinserção social. Além disso, contribui para a melhora da função intestinal e vesical, favorecendo o controle da bexiga e do intestino; estimula hábitos alimentares mais saudáveis e maior ingesta hídrica, fundamentais para a regulação fisiológica e melhora a qualidade do sono. Todavia, encontram-se limites como a acessibilidade e oferta de diferentes atividades, profissionais capacitados e custos elevados. |