"Racismo é um problema dos meus antepassados": o pacto da branquitude no cotidiano da Estratégia de Saúde da Família (ESF)

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"Racismo é um problema dos meus antepassados": o pacto da branquitude no cotidiano da Estratégia de Saúde da Família (ESF)

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Title: "Racismo é um problema dos meus antepassados": o pacto da branquitude no cotidiano da Estratégia de Saúde da Família (ESF)
Author: Cardozo, Priscila Schacht
Abstract: A construção teórica desta tese contribui para perspectivas que questionem o lugar das pessoas brancas na luta antirracista no contexto do Sistema Único de Saúde, reposicionando e desconstruindo a perspectiva das relações étnico raciais alicerçada exclusivamente na negritude, pois a população branca ainda é maioria na gestão e nos cenários de prática da saúde pública. O racismo é compreendido como uma categoria estrutural e estruturante de nossa sociedade. O objetivo geral da pesquisa foi interpretar a influência da branquitude no cotidiano da Estratégia de Saúde da Família (ESF). A metodologia desta tese configurou-se em uma pesquisa qualitativa, exploratória-descritiva. Os instrumentos de pesquisa foram a entrevista semiestruturada e a observação participante. O local do estudo foi uma cidade no sul do Estado de Santa Catarina, envolvendo 02 unidades de saúde e 12 pessoas entrevistadas. A análise dos dados ocorreu por Análise de Conteúdo, orientada por perspectivas decoloniais e feministas, a partir do pensamento de autoras como Maria Aparecida da Silva Bento, Lélia Gonzales, Grada Kilomba, Lia Vainer Schucman e Lourenço Cardoso. Construímos duas categorias abordadas em dois artigos intitulados e um ensaio. Os resultados indicam que a influência da branquitude no acesso da população negra continua sendo o pacto narcísico da branquitude, expresso no silenciamento sobre o tema das relações raciais. A branquitude reconhece que as vulnerabilidades incidem sobre a população mais empobrecida, e busca desenvolver estratégias de acolhimento, mas nega qualquer vinculação racial, e ainda alimenta o discurso de que ?somos todos iguais?. É necessário que pesquisas sobre as relações raciais considerem a pesquisa de campo como estratégia metodológica; também é preciso investir no diálogo e formação sobre as relações raciais no contexto dos serviços de saúde, focando na compreensão do racismo estrutural no Brasil, estratégia já inserida nas diretrizes da PNSIPN, mas que ainda não reverbera no cotidiano dos serviços. E por fim, é de fundamental importância pensar a gestão em saúde com estratégias para a superação do racismo institucional e que dialoguem com os movimentos sociais negros.Abstract: The theoretical framework of this thesis contributes to perspectives that question the place of white people in the anti-racist struggle within the context of the Brazilian Unified Health System (SUS), repositioning and deconstructing the perspective of ethnic-racial relations based exclusively on Blackness, since the white population is still a majority in the management and practice settings of public health. Racism is understood as a structural and structuring category of our society. The general objective of the research was to interpret the influence of whiteness on the access of the Black population to health care within the Family Health Strategy (ESF). The methodology of this thesis was configured as qualitative, exploratory-descriptive research. The research instruments were semi-structured interviews and participant observation. The study site was a city in the south of the state of Santa Catarina, involving 2 health units and 12 interviewees. The data analysis was conducted using Content Analysis, guided by decolonial and feminist perspectives, based on the thought of authors such as Maria Aparecida da Silva Bento, Lélia Gonzales, Grada Kilomba, Lia Vainer Schucman, and Lourenço Cardoso. We constructed two categories addressed in two articles and one essay. The results indicate that the influence of whiteness on the access of the Black population continues to be the narcissistic pact of whiteness, expressed in the silence surrounding the issue of race relations. Whiteness recognizes that vulnerabilities affect the poorest population and seeks to develop support strategies, but denies any racial connection and still fuels the discourse that \"we are all equal.\" It is necessary that research on race relations considers field research as a methodological strategy. It is also necessary to invest in dialogue and training on race relations in the context of health services, focusing on understanding structural racism in Brazil, a strategy already included in the PNSIPN guidelines, but which has not yet resonated in the daily routine of services. And finally, it is of fundamental importance to consider health management with strategies for overcoming institutional racism and that engage with Black social movements.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/272746
Date: 2026


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