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Apesar dos avanços terapêuticos, o tratamento do câncer ainda apresenta eficácia limitada e toxicidade significativa. A busca por terapias antitumorais mais eficazes e menos tóxicas permanece um desafio na oncologia. Neste contexto, o ácido gálico (AG), um polifenol de origem natural, tem demonstrado propriedades antitumorais promissoras, entretanto, ainda há lacunas quanto à comprovação de seus efeitos em modelos in vivo. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a atividade antitumoral do ácido gálico em modelo murino de sarcoma 180. Para tanto, foram implantadas células de tumores S-180 na derme axilar de 50 camundongos Swiss machos. Os animais receberam, por via oral, doses de ácido gálico (AG; 10, 25 ou 50 mg/kg/dia), 5-fluorouracil (5-FU; 25 mg/kg, i.p.) ou solução veículo por sete dias, e foram eutanasiados no oitavo dia. A massa ponderal, a porcentagem de inibição do crescimento e histopatologia dos tumores foram avaliados, juntamente com a análise imuno-histoquímicas da proliferação (Ki-67), as vias efetora comum (caspase-3 clivada), intrínseca (Bcl2 e Bax) e extrínseca (caspase-8 clivada) da apoptose, e a via de sinalização celular NF-?B. Indicadores hematológicos e análise bioquímica, macro e microscópica de toxicidade hepática, renal e esplênica também foram analisados. Os resultados demonstraram que os grupos AG25 (p<0,05) e AG50 (p<0,001) apresentaram redução significativa da massa tumoral em comparação ao grupo veículo. No entanto, o grupo tratado com 5-FU exibiu a menor massa tumoral média ponderal entre todos os grupos experimentais (p<0,001). Em comparação com o grupo Veículo, o AG50 reduziu significativamente o índice proliferativo (Ki67) (9,5 ± 3,79% vs. 14,2 ± 2,6%; p<0,001) e aumentou a imunoexpressão da caspase-3 clivada (9,0; 6,0?9,0 vs. 3,5; 2,0?4,0; p<0,001), além de reduzir a imunoexpressão do Bcl-2 (1,0; 1,0?4,0 vc. 4,0; 4,0?6,0; p<0,001) e aumentar a do Bax (8,0; 6,0? 9,0 vs. 3,0; 2,0?6,0; p<0,001). A caspase-8 clivada apresentou aumento apenas no grupo 5FU (1,0; 1,0?1,25; p<0,01 vs. Veículo), sem alteração significativa em AG50 (p>0,05). O grupo Veículo apresentou 38,4 ± 9,2% de positividade para NF-?B, enquanto AG50 reduziu para 16,8 ± 7,7% (p<0,001). Em conjunto, esses dados sugerem que o AG apresenta atividade antitumoral significativa no modelo murino de S-180, associada à supressão do ciclo celular, a inibição, ao menos parcial, da via MAPK/NF?B/p65 e principalmente a indução da apoptose pela via intrínseca. Embora o 5-FU tenha promovido maior inibição tumoral, esteve associado à indução de leucopenia e atrofia esplênica. Em contraste, o ácido gálico preservou os parâmetros hematológicos, hepáticos e renais, mantendo um perfil de segurança sistêmica mais favorável. Esses achados reforçam o potencial do AG como candidato promissor à terapia adjuvante do câncer. |
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Abstract: Despite therapeutic advances, cancer treatment still presents limited efficacy and significant toxicity. The search for more effective and less toxic antitumor therapies remains a challenge in oncology. In this context, gallic acid (GA), a naturally occurring polyphenol, has demonstrated promising antitumor properties; however, there are still gaps in the evidence of its effects in in vivo models. Therefore, the aim of this study was to evaluate the antitumor activity of gallic acid in a murine model of sarcoma 180. To this end, S-180 tumor cells were implanted in the axillary dermis of 50 male Swiss mice. The animals received oral doses of gallic acid (GA; 10, 25 or 50 mg/kg/day), 5-fluorouracil (5-FU; 25 mg/kg, i.p.) or vehicle solution for seven days and were euthanized on the eighth day. Tumor weight, percentage of growth inhibition, and histopathology were evaluated, along with immunohistochemical analysis of proliferation (Ki-67), the common effector (cleaved caspase-3), intrinsic (Bcl2 and Bax), and extrinsic (cleaved caspase-8) apoptosis pathways, and the NF-?B cell signaling pathway. Hematological indicators and biochemical, macro- and microscopic analysis of hepatic, renal, and splenic toxicity were also analyzed. The results demonstrated that the AG25 (p<0.05) and AG50 (p<0.001) groups showed a significant reduction in tumor mass compared to the vehicle group. However, the group treated with 5-FU exhibited the lowest mean tumor weight among all experimental groups (p<0.001). Compared to the Vehicle group, AG50 significantly reduced the proliferative index (Ki67) (9.5 ± 3.79% vs. 14.2 ± 2.6%; p<0.001) and increased the immunoexpression of cleaved caspase-3 (9.0; 6.0?9.0 vs. 3.5; 2.0?4.0; p<0.001), in addition to reducing the immunoexpression of Bcl-2 (1.0; 1.0?4.0 vs. 4.0; 4.0?6.0; p<0.001) and increasing that of Bax (8.0; 6.0?9.0 vs. 3.0; 2.0?6.0; p<0.001). Cleaved caspase-8 showed an increase only in the 5FU group (1.0; 1.0?1.25; p<0.01 vs. Vehicle), with no significant change in AG50 (p>0.05). The Vehicle group showed 38.4 ± 9.2% positivity for NF-?B, while AG50 decreased to 16.8 ± 7.7% (p<0.001). Taken together, these data suggest that AG has significant antitumor activity in the murine S-180 model, associated with cell cycle suppression, at least partial inhibition of the MAPK/NF-?B/p65 pathway, and mainly the induction of apoptosis via the intrinsic pathway. Although 5-FU promoted greater tumor inhibition, it was associated with the induction of leukopenia and splenic atrophy. In contrast, gallic acid preserved hematological, hepatic, and renal parameters, maintaining a more favorable systemic safety profile. These findings reinforce the potential of gallic acid as a promising candidate for adjuvant cancer therapy. |
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