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Abstract:
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A Bacia do Paraná é composta por unidades estratigráficas que registram
distintos contextos paleoambientais, organizados em seis supersequências. A
Supersequência Gondwana I (Permiano) registra um ciclo transgressivo-regressivo
associado a mudanças tectônicas e climáticas, no qual se preserva sucessões periglaciais (Grupo Itararé), costeiras e marinhas (Grupo Guatá) e depósitos continentais
(Grupo Passa Dois). Essas unidades sedimentares afloram ao longo da borda leste
da Bacia do Paraná, com destaque para a região da Calha de Torres, onde unidades
basais da Supersequência ocorrem lateralmente a depósitos mais jovens. Tal
configuração revela rejeitos verticais significativos, da ordem de centenas de metros,
atribuídos à atuação de falhas normais e a controles tectônicos significativos. Além
disso, a gênese similar desses depósitos dificulta a distinção entre as unidades
sedimentares, gerando incertezas no mapeamento estratigráfico e na correlação entre
seções aflorantes e subsuperficiais. Nesse sentido, os depósitos de origem vulcânica
desempenham papel fundamental como marcadores estratigráficos, uma vez que
permitem estabelecer correlações precisas entre diferentes unidades. No contexto da
Bacia do Paraná, essas ocorrências vulcânicas estão associadas ao intenso
magmatismo do Magmatismo Choiyoi, que ocorreu na margem oeste do Gondwana
durante o Permiano. Diante disso, o estudo da sucessão estratigráfica e a presença
de camadas vulcânicas intercaladas são elementos importantes para posicionar os
afloramentos e relacioná-los às formações correspondentes. O presente trabalho
aborda um estudo de caso voltado à revisão da associação de fácies e do
paleoambiente, com ênfase na análise de uma camada-guia de fragmentos vulcânicos
aflorante no Morro dos Conventos, localizado em Araranguá (SC). Este morro
testemunho, reconhecido como ponto turístico da região Sul, é correlacionado à
Formação Rio do Rasto, conforme o mapeamento do Serviço Geológico do Brasil
(CPRM). O objetivo deste estudo é revisar o mapeamento atual da região e posicionar
o Morro dos Conventos, estratigráfica e cronologicamente, a partir de dados de campo
e de idades U–Pb em zircão obtidas em uma camada de tufo, integrados às
informações disponíveis na literatura. O levantamento detalhado de uma seção
colunar do afloramento foi realizado em campo, juntamente com a coleta do material
para datação. As amostras foram submetidas à análise LA-MC-ICP-MS para a
determinação das idades U–Pb em zircão. A idade concórdia obtida de 286 ± 1,4 Ma
(N=9, MSWD=1,2) permite correlacionar o depósito ao estágio Artinskiano, sendo,
portanto, anterior à deposição da Formação Rio do Rasto, e mais compatível com o
limite entre as Formações Rio Bonito e Palermo. Ainda, a análise sedimentológica e
estratigráfica da seção levantada indica um paleoambiente de plataforma dominada
por ondas de tempestade, com ocorrência de lamitos maciços de backshore,
estratificações cruzadas swaley intercalada com laminações onduladas truncadas
(wave ripples) de shoreface superior e hummocky de shoreface inferior. O contato
entre as camadas é comumente ondulado/erosivo, atrelado à ocorrência e dissipação
tempestades. Com base nos dados sedimentológicos e geocronológicos, a sucessão
sedimentar que compõe o Morro dos Conventos sugere uma melhor correlação com
a porção superior da Formação Rio bonito, que estava sendo afogada pelo mar
Palermo. |