Medicina tradicional chinesa no SUS: contribuições à integralidade do cuidado e à prevenção quaternária

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Medicina tradicional chinesa no SUS: contribuições à integralidade do cuidado e à prevenção quaternária

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Title: Medicina tradicional chinesa no SUS: contribuições à integralidade do cuidado e à prevenção quaternária
Author: Reis, Mariana Sant?Angelo
Abstract: No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a biomedicina constitui o referencial hegemônico de saber e prática, operando com um viés reducionista, centrado no corpo biológico, na doença e na gestão de riscos, o que favorece processos de medicalização e distintas formas de iatrogenia. Em contraposição a esse modelo, a integralidade e a prevenção quaternária (P4) configuram referenciais que buscam qualificar o cuidado clínico, ao ampliar a compreensão do processo saúde?doença, reduzir intervenções desnecessárias e incentivar a autonomia dos sujeitos. As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são admitidas como um suporte relevante nesse processo. Em especial, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) desponta como racionalidade médica vitalista potencialmente alinhada a esses princípios, por propor uma abordagem ampliada do processo saúde?doença e do sofrimento. Este estudo teve por objetivo analisar como os saberes e técnicas da MTC contribuem para a integralidade e a P4 no cuidado clínico realizado no SUS, a partir da experiência de profissionais que utilizam essa racionalidade. Trata-se de pesquisa exploratório-descritiva, de abordagem qualitativa, realizada com 29 profissionais atuantes em unidades básicas de saúde, policlínicas e ambulatório universitário de Florianópolis (SC), que empregam alguma técnica da MTC. Os dados, produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas, foram submetidos à análise temática. Os resultados indicam que o principal motivo de aproximação dos profissionais à MTC foi o descontentamento com os limites da biomedicina, seguido da busca por ampliar o repertório terapêutico e de experiências pessoais positivas com essas práticas. A MTC é percebida como um dispositivo que favorece o acolhimento, a escuta qualificada, a abordagem integral e o incentivo ao autocuidado, contribuindo para a redução de intervenções farmacológicas e diagnósticas excessivas. Desse modo, configura-se como recurso relevante para a integralidade do cuidado e para a prática da prevenção quaternária (P4). Contudo, sua potencialidade é tensionada por obstáculos estruturais, como hegemonia biomédica, insuficiência de formação pública em MTC e precariedade institucional da oferta de PICS no SUS.Traditional Chinese Medicine (TCM) is a vitalist medical rationality and it has been being incorporated into the Brazilian Unified Health System (SUS), mainly through integrative and complementary practices. This study examined how TCM knowledge and techniques contribute to integrative care and quaternary prevention within SUS services. We conducted a qualitative study based on semi-structured interviews that were later submitted to thematic analysis with 29 health professionals who work with TCM in primary and secondary care. Three main motivations for approaching TCM were identified: dissatisfaction with the limits of biomedicine, the search to expand the therapeutic repertoire and previous personal experiences with these practices. Incorporating TCM was described as transformative to the clinical gaze, favouring broader listening, more individualized therapeutic projects, stronger bonds and greater encouragement of self-care, as well as reducing the use of drugs, tests and unnecessary interventions. However biomedical hegemony, organizational constraints and the tendency to ?translate? TCM into strictly biomedical terms generate hybrid forms of practice and empty its vitalist component. TCM?s contribution to integrality and to quaternary prevention depends on how professionals understand this rationality and critically position themselves in relation to the dominant biomedical model
Description: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/273022
Date: 2026


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