A construção discursiva das organizações humanitárias diante da epidemia de HIV/aids no Sul Global

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A construção discursiva das organizações humanitárias diante da epidemia de HIV/aids no Sul Global

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Title: A construção discursiva das organizações humanitárias diante da epidemia de HIV/aids no Sul Global
Author: Silva, Gabriela Müller
Abstract: O presente trabalho tem como objetivo analisar criticamente os discursos produzidos por organizações humanitárias internacionais sobre a epidemia de HIV/aids em contextos de crise, especialmente em países do Sul Global. A pesquisa parte do pressuposto de que os discursos humanitários não apenas descrevem a realidade, mas a constroem socialmente, influenciando percepções sobre vulnerabilidade, responsabilidade e dependência. Fundamentado na perspectiva do construcionismo social, o estudo adota uma abordagem qualitativa de cunho documental, tomando como corpus reportagens publicadas entre 2020 e 2025 por três organizações: Médicos Sem Fronteiras (MSF), Partners In Health (PIH) e Amref Health Africa. A análise busca identificar como essas instituições narram a epidemia, quais elementos são enfatizados e quais permanecem silenciados em suas produções discursivas. Os resultados indicam que as organizações humanitárias constroem a epidemia de HIV/aids como uma crise sanitária global e moral, caracterizada por sofrimento, abandono e desigualdade. Em seus discursos, as organizações se posicionam como atores indispensáveis e competentes, capazes de atuar onde os sistemas nacionais falham, o que contribui para naturalizar a dependência de ajuda externa e reafirmar uma lógica de poder assimétrica entre o Norte e o Sul Global. Além disso, observou-se que as reportagens priorizam vozes de pacientes e profissionais ligados às próprias organizações, silenciando perspectivas de autoridades locais e profissionais de saúde moçambicanos, ruandeses e de outros países africanos onde atuam. Tal ausência impede o reconhecimento do protagonismo local, reforçando a visão de que a transformação só é possível por meio da intervenção estrangeira. Conclui-se que as narrativas humanitárias analisadas produzem uma forma específica de visibilidade: ao mesmo tempo em que tornam o sofrimento audível, reduzem a complexidade das relações sociais e políticas que sustentam a epidemia. Assim, o estudo evidencia como a comunicação dessas organizações contribui para a construção simbólica de um Sul Global vulnerável, dependente e passivo diante da crise, ao passo que os agentes internacionais se apresentam como promotores de esperança e mudança. Refletir criticamente sobre esses discursos é fundamental para descolonizar as práticas humanitárias e fortalecer uma compreensão mais equitativa, ética e participativa da saúde global.
Description: TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Enfermagem.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/270098
Date: 2025-11-12


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